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Tecnologia, Informação e Expressão

Agora a Microsoft resolveu apelar (?)

with 14 comments


Como vencedora da primeira guerra dos navegadores a empresa fundada por Bill Gates e Paul Allen conseguiu durante alguns anos obter praticamente a hegemonia da Internet com o seu navegador, o Microsoft Internet Explorer.

As consequências de tamanho sucesso não foram nada positivas, dentre elas: uma web insegura, não aderente a padrões e toda sorte de incompatibilidade para o conteúdo disponível. No último caso em especial, exatamente o oposto do objetivo original para a rede.

Felizmente no início do atual século um navegador de código fonte aberto e aderente a padrões, o Firefox da Fundação Mozilla, nos trouxe algum alento. Nos últimos tempore a base instalada do navegador da Fundação Mozilla vem crescendo de forma considerável.

Em seu rastro, a renovação do interesse por esse tipo de software culminou com lançamento de várias opções em navegadores para web e engines para a construção desse tipo de software. A maioria baseada em código fonte aberto e praticamente todos aderentes a padrões. Essa renovação trouxe um sopro de vida para a Internet e estimulou diretamente um conjunto de inovações tecnológicas que somadas proporcionaram a web colaborativa que utilizamos atualmente, também chamda por alguns de web 2.0.

Dentre as inovações mais recentes e promissoras podemos citar o HTML 5 e as máquinas virtuais JavaScript. Essa duas tecnologias tem potencial para promover algumas pequenas mais importantes revoluções na web.

Mas uma resposta dissimulada da Microsoft (mais uma) para tentar frear o avanço na adoção de tecnologias abertas não tardou e responde pelo nome de Silverlight.

Para o público leigo Silverlight não passa de uma alternativa da Microsoft ao Adobe Flash ou Adobe Flex para distribuição de conteúdo interativo e multimídia. Infelizmente a realidade não é exatamente essa.

Decisões de projeto para a mais recente versão do navegador da Microsoft, o Internet Explorer 8, mais especificamente no que diz respeito a ausência de uma máquina virtual JavaScript com a mesma qualidade e performance oferecida pela concorrência, parecem revelar que a Microsoft continua refratária a adoção de padrões para suas estratégias de Internet. E nesse caso em específico pretende posicionar o Silverlight como “máquina virtual universal” de sua estratégia de desenvolvimento para web. Uma máquina virtual próprietária e incompatível com todo o resto.

E agora depois de toda uma longa introdução, finalmente chegaremos ao ponto central desse post,  a seguinte manchete:

Playboy libera arquivo com 53 anos de revistas de graça na web – IDGNow!

Só tem um detalhe, Silverlight é o requisito essencial para acesso ao conteúdo!

Com essa a Microsoft atinge em cheio um público que responde por um percentual siginificativo do tráfego da web. Nice move!

Written by @antoniofonseca

sábado, 21 março, 2009 às 4:56 pm

14 Respostas

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  1. exatamente… marketing de guerrilha da pesada para garantir base instalada!

    Com tanto site de pornografia bom por ai eu vou boicotar essa iniciativa com a maior falicidade
    =)

    Henrique Andrade

    segunda-feira, 23 março, 2009 at 1:58 am

  2. […] dos computadores novos, apesar das campanhas milionárias da Microsoft em seu apoio, apesar da guerra suja com o Silverlight, o navegador open source da Mozilla, o Firefox, já tem um share superior ao IE e […]

    FireFox x IE « Helder A. Morais

    segunda-feira, 23 março, 2009 at 10:50 am

  3. Alguns comentários sobre essa previsão:

    – Silverlight tem javascript em sua arquitetura interna. Não é negócio p/ IE ter uma VM javascript lenta, pois o próprio silverlight a utiliza. Foi trabalho de porco que fizeram mesmo com a VM do IE.
    – Silverlight é Open Source.
    – Silverlight tem versão para Linux (Moonlight).
    _ Silverlight é uma plataforma de desenvolvimento completa pra web, anseios de uma audiência que veio dos aplicativos cliente/servidor são atendidos com silverlight.

    _ Falar de padrões abertos? Silverlight usa JSon (aberto), C# (aberto) , .NET 3.5 (aberto), então, como vc mesmo diz, é só olhar o código e ver o que ele faz. Não gostou? Não use. Eu uso e É muito prático, assim como o FLEX também o é, pois tenho colegas que desenvolver em FLEX, mas critique com base.
    – “não passa de uma alternativa da Microsoft ao Adobe Flash ou Adobe Flex” – Vá procurar saber mais sobre Silverlight.

    Olavo Neto

    quarta-feira, 8 abril, 2009 at 2:44 pm

    • “não passa de uma alternativa da Microsoft ao Adobe Flash ou Adobe Flex” …

      Se você entende a língua portuguesa acho que compreendeu que justamente nego a tal afirmativa. Se não domina o nosso idioma, leia novamente e releia se for o caso, tenho certeza que chegará uma hora em que você vai compreender.

      Boa parte das tecnologias MS com selo de aprovação OSI (como “open source”) possuem licença que não permite contribuir diretamente com o código, nesses casos pouco vale a possibilidade de acesso ao código fonte.

      Bem, pelo menos concordamos em algo, a VM JavaScript do IE é uma piada e o fato de mover cada vez mais coisas para dentro do Silverlight só reforça a impressão de que se trata de mais um pouco do bom e velho “embrace and extend…” em ação.

      Continuo espando chegar o dia em que Redmond realmente me surpreenderá com alguma coisa realmente nove e favorável ao usuário, sem pegadinhas.

      ASF

      quarta-feira, 8 abril, 2009 at 3:33 pm

  4. Engraçado,

    Antes você reclamava porque o código era fechado, agora que é aberto, só dá pra reclamar disso mesmo, “não se pode contribuir no código diretamente”. Como se representasse um grande impacto ao usuário final ou mesmo aos desenvolvedores de aplicativos e desenvolvedores web.

    Eu realmente não sei a resposta, mas gostaria de saber quais GRANDES empresas permitem que o tronco do desenvolvimento de seus produtos open-source sejam manipulados diretamente por não-funcionários.

    E outra, ter condições de ler o código fonte desconstrói qualquer argumento sobre confiabilidade e compatibilidade.

    Se você quer ver a comunidade MS contribuindo efetivamente com um projeto OPEN-SOURCE MS, então acesse e veja você mesmo:
    http://www.codeplex.com/MVCContrib

    Att.

    Olavo Neto

    sexta-feira, 10 abril, 2009 at 3:13 pm

    • Ao afirmar que basta acesso de leitura ao código fonte você apenas comprova o que faz muito tempo eu já suspeitava, oficialmente a MS (sim porque existe gente da empresa que pensa diferente) e boa parte da comunidade em torno da tecnologia MS ainda não compreendeu o verdadeiro significado do open source. Isso é bom porque manterá a MS ainda por algum tempo perdendo força e mercado. E sinceramente espero que por tempo suficiente para ser restabelecido um equilíbrio maior de forças na indústria.

      Sobre empresas que premitem que não funcionários mexam nos fontes no tronco de seus projetos, a lista é enorme e passa necessariamente todas aquelas que utilizam Linux. Além de empresas de vários portes, das reconhecidas e globais como IBM, Sun, Novell, Red Hat, até empresas menores e regionais. De fabricantes de hardware a desenvolvedoras de software.

      “Se você quer ver a comunidade MS contribuindo efetivamente com um projeto OPEN-SOURCE MS, …”

      Contribuindo para quem? Para ela mesmo ou substancialmente apenas para os interesses de uma única empresa?

      Estas são perguntas mais fáceis ou mais difíceis de responder, tudo depende do seu nível de compreensão sobre o significado do termo open source.

      ASF

      sábado, 11 abril, 2009 at 10:21 am

  5. Até a Apple tem a engine (Webkit) do seu navegador (Safari) como um produto open-source e não somente divulgando o código, mas também possibilitando que “qualquer um” contribua, desde bugs até mesmo código.

    Lucas Arruda

    quarta-feira, 15 abril, 2009 at 4:29 pm

  6. Existem, mas todos, direta ou indiretamente, obedecem a uma hierarquia de revisão e de controle. Você pode fazer o que quiser no código do Open Office da Sun, mas não espere que a Sun dê suporte a sua distribuição. Na essência é isso. O Mecanismo de controle que a MS está utilizando é outro. E acho que não é uma alternativa ruim, pois permite filtrar contribuições e manter o projeto inteiro coeso. Senão daqui a pouco teremos multiplas versões originadas do mesmo projeto o que complicaria muito o modelo de negócio de qualquer empresa dentro do Open Source.

    Olavo

    quinta-feira, 16 abril, 2009 at 10:33 am

    • “Existem, mas todos, direta ou indiretamente, obedecem a uma hierarquia de revisão e de controle.”

      Puxa vida, que “novidade”, não fosse você dizer isso ninguém jamais desconfiaria!

      Dá uma olhada no modelo de governança dos projetos open source, quem sabe você aprender alguma coisa nova. Uma dica: começa pelos projetos de kernel e sistema operacional.

      Infelizmente Olavo, goste você ou não, é aparente que seu pensamento está alguns anos defasado e suspeito que a razão principal disso é manter uma única fonte de referência e consulta.

      Larga o MSDN, larga o Technet rapaz, larga os papers da Microsoft. Acredite o mundo é bem maior do que isso!

      ASF

      quinta-feira, 16 abril, 2009 at 11:05 am

    • Deixa eu simplificar as coisas um pouco mais:

      Qualquer projeto open source de qualidade está organizado em torno de um conjunto de regras bem estabalecidas para colaboração, seja no código, documentação ou depuração. Estas regras são fortemente orientadas à meritocracia.

      Outro detalhe importante é que, quem contribui de alguma forma tem seu esforço reconhecido e respeitado, por exemplo: desenvolvedores que submetem patchs diretamente (para aqueles com privilégios para tanto) ou para serem aprovados pelo time de manutenção do projeto (as vezes em vários níveis) tem respeitada sua propriedade intelectual. Exatamente como aqueles que contribuíram anteriormente. Isso é geralmente garantido graças ao modelo de licença utilizado, das mais restritivas como a GPL até as mais permissivas como Apache e BSD.

      Cada licença define a o que pode entrar no projeto e como.

      Me preocupa a percepção de open source demonstrada pela Microsoft. Não estou seguro de que ao colaborar em um projeto norteado por uma das licenças open source propostas pela Microsoft, minha propriedade intelectual será respeitada ou se será transferida automaticamente para a empresa. Você poderia colaborar com essa discussão descrevendo como isso se processaria em cada uma delas, por exemplo.

      ASF

      quinta-feira, 16 abril, 2009 at 4:13 pm

  7. Verdade, Antônio. Não se sabe quais os termos reais, pois a intenção, obviamente, está bem clara.

    Tirando todo esse fato do OpenSource, acho que podemos considerar que essa atitude da MS com o Silverlight é no mínimo irritante e boba. Sabem eles e sabemos nós que ele não irá decolar, por causa do Flash e por causa de outras tecnologias e o uso de técnicas com o AJAX e novidades com o HTML 5, e mesmo assim ficam nos “pentelhando” ou obrigando-nos a instalar o Silverlight para poder ver um determinado conteúdo, como aconteceu recentemente com o NFL que já até abandonou o mesmo, ou nos obrigando a não acessar determinado conteúdo, só pelo simples fato da MS ter dinheiro suficiente para converter uns bons clientes para sua tecnologia, pelo menos por um tempo.

    Então, pior de tudo, o Silverlight não passa de um calo no dedão mindinho do pé e não quer acordar para essa fato como a Sony não acorda com seus memory stick.

    Lucas Arruda

    quinta-feira, 16 abril, 2009 at 4:31 pm

    • Concordo. Mas é sempre bom lembrar que exatamente da mesma maneira a Microsoft começou a promoção do seu Internet Explorer, e deu no que deu.

      Quanto ao MMS da Sony, que coisa irriante não é mesmo? Por exemplo, por causa dessa insistência minha próxima câmera digital compacta será uma Canon.

      ASF

      quinta-feira, 16 abril, 2009 at 10:03 pm

  8. Verdade, só espero que o lobby da Microsoft não seja suficiente para fazer o Flash e outras tecnologias cairem, como aconteceu com o Netscape.

    Lucas Arruda

    sexta-feira, 17 abril, 2009 at 9:58 am

  9. “…Me ensinaram a nunca presumir malícia onde a incompetência pode ser a explicação mais simples. Mas o grau de incompetência necessária para explicar o suporte pobre ao ODF no Service Pack 2 atormenta a mente e me leva a ter pensamentos cruéis…”

    Só essa frase já diz tudo!
    Essa é a M$!

    Daniel Leal

    quinta-feira, 7 maio, 2009 at 4:21 am


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