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Tecnologia, Informação e Expressão

Novell pode ser impedida de distribuir Linux (3)

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Foi interessante e instrutivo acompanhar toda a repercussão em torno da notícia da Reuters.

Pude observar pelo menos três tipos de manifestações que classifiquei conforme o perfil do autor: pouco informado, politicamente correto (ou cauteloso em excesso) e bem informado.

O primeiro time, dos pouco informados, ainda pode ser dividido em outras duas categorias conforme as intenções do autor: pró-FLOSS e anti-FLOSS. A turma do contra pensa ter encontrado a oportunidade perfeita para “revelar toda a verdade por trás do software livre!”.🙂

Dá até para ouvir em uníssono: “que tipo de liberdade é essa que só vale para eles…“, coisa e tal. Basicamente tudo bobagem motivada pela mesma falta de informação que serve de combustível para a disseminação do FUD.

Minha opinião é de que essas pessoas deveriam buscar se informar mais e melhor, para isso deveriam ser mais criteriosas quanto a qualidade e isenção das fontes que consultam.

O segundo time, dos politicamente corretos, é formado por aqueles que desejam “tapar o sol com a peneira”. Eles querem evitar a polêmica a todo custo. A maioria parece acreditar que o jornalista da Reuters deturpou fatos e tirou conclusões precipitadas, com o que eu também concordo, porém manchetes sensacionalistas não são necessariamente uma novidade para a impresa.

O problema com essa turma é que cautela em excesso também pode ser prejudicial. Perde-se uma ótima oportunidade para atrair atenção sobre o assunto (inclusive do público leigo) e conseguir esclarecê-lo da melhor forma possível e para toda a opinião pública. Corre-se também o risco de passar uma falsa impressão de que existe realmente algo a ser ocultado.

E o terceiro time? O time dos bem informados?

Mesmo sendo minoria e entre eles que a “verdadeira ação” acontece!🙂

Agora eu vou tentar fazer a minha parte, vou me aventurar em esclarecer pontos que ainda considero obscuros para a maioria das pessoas:

A razão para o desconforto da FSF, e de grande parte da comunidade em torno do FLOSS, em relação ao acordo Novell/Microsoft não é difícil de explicar. Esse acordo pode ser entendido como uma espécie de cross-licensing entre as duas companhias e o principal problema com ele é que pode dar margem para a interpretação de que a Novell parece estar concordando que há propriedade intelectual da Microsoft na sua distribuição GNU/Linux (SuSE) e conseqüentemente também no projeto GNU.

Exatamente também porque ela nunca poderia assumir isso abertamente, se o fizesse estaria violando os termos da GPLv2 (a licença sob a qual o GNU/Linux é distribuído).

Só por isso, esse acordo em si, já é algo ruim. Porém (alguns dizem que) ele tem ainda o potencial de fornecer munição a Microsoft para que ela mova ações por violação de propriedade intelectual contra empresas e indivíduos que trabalham com software livre (isso ainda não está muito claro ou comprovado).

Mas é importante notar que até hoje Ballmer e companhia não se arriscaram muito além do FUD, de algumas caretas e ameaças contra a comunidade open source.

Isso ocorre possivelmente porque a Microsoft receia que ao entrar em um tribunal, para testar suas patentes contra o FLOSS, possa sair com muito menos do que tinha quando entrou. É que além do enorme desgaste para sua imagem, o FLOSS ainda conta com o apoio (proteção) de várias empresas que junto possuem um número maior de patentes que a Microsoft.

Antes da notícia da Reuters, o que todos sabiam é que a FSF estava trabalhando para que as novas cláusulas na GPLv3 pudessem impedir, ou tornar menos atraente para indústria de software proprietário, a realização de acordos como o Novell/Microsoft.

Para isso elas deixariam explícito que não haveria qualquer propriedade intelectual de terceiros no software e que, se houvesse, esta estaria cedida em caso de acordos desse tipo.

Infelizmente as coisas podem ficar ainda um pouquinho mais complicadas.

Hoje, mesmo já havendo empresas, projetos e desenvolvedores que admitem que deverão adotar a GPLv3 (projeto SAMBA, Sun Microsystems, etc) uma boa parte dos desenvolvedores do kernel Linux (incluindo aqui o próprio Linus Torvalds) ainda não estão confortáveis com os novos termos da licença e afirmam que deverão manter seus códigos sob a GPLv2, isso mesmo após o lançamento da nova versão.

Written by @antoniofonseca

quinta-feira, 8 fevereiro, 2007 às 3:23 pm

Publicado em Info, Opinião

Uma resposta

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  1. Eu fiz um pequeno artigo sobre meus comentários sobre o assunto… Espero que seja digno de apreciação: http://hogwartslinux.wordpress.com/2007/02/06/o-que-define-liberdade-de-software-em-software-livre/

    Fábio Emilio Costa

    sexta-feira, 9 fevereiro, 2007 at 9:09 am


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