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Tecnologia, Informação e Expressão

Uma relação turbulenta

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No começo houve o silêncio ou o não reconhecimento, depois vieram aqueles “alertas” e as “denúncias”. E mais recentemente presenciamos a agressiva campanha baseada em FUD (Fear Uncertainty and Doubt).

No momento, ao que tudo indica, estamos finalmente entrando na fase da conciliação e colaboração.

Será mesmo? Bem, pelo menos é o que parece.

Se você ainda não entendeu do que eu estou falando o assunto é a Microsoft e sua turbulenta relação com o software de código aberto.

Hoje em dia a empresa de Redmond parece estar disposta a recuperar o tempo perdido conduzindo algumas iniciativas que, na opinião dela, tem o potencial para beneficiar a todos e ao mesmo tempo melhorar sua imagem junto à comunidade de usuários e desenvolvedores.

Aproveitarei então para enumerar aqui as principais – essa lista foi compilada principalmente com as informações obtidas através da troca de mensagens com Roberto Prado (gerente de estratégias da Microsoft) e Fernando Cima (consultor da Microsoft Brasil) no blog Porta 25: disponibilização de ferramentas como o WIX (ferramenta de código aberto para a criação de instaladores para aplicações Windows) e o tradutor de documentos para ODF no SourceForge.net, a criação do Codeplex (o SourceForge.net da Microsoft), a incorporação da biblioteca MPI Open Source BSD na solução de HPC para o Windows Server 5, elaboração de versões próprias de licenças para software de código aberto, o IronPython (implementação Microsoft do Python para .NET), criação do Laboratório de Interoperabilidade com Open Source em conjunto com a Unicamp e o próprio Open Source Software Lab da Microsoft. Além dos já conhecidos blogs Port 25 e Porta 25.

Minha avaliação no entanto é de que todas elas ainda são muito focadas apenas nos interesses da Microsoft e parecem mesmo talhadas sob medida para beneficiar exclusivamente suas linhas de produtos. Não me parece que elas contribuam para a evolução de outros projetos ou que se obtenha com elas, pelo menos ainda não, qualquer benefício de uma forma mais abrangente.

Então vejamos: por que não passar a adotar licenças aprovadas pela FSF ou pelo OSI, ou mesmo contribuir com a sua elaboração? Por que não passar a apoiar o desenvolvimento de ferramentas multi-plataforma? Por que não passar a colaborar com os vários projetos open source já existentes (e não estou falando do Linux)? Por que não passar a fornecer informações que facilitem a interoperabilidade de seus sistemas e protocolos proprietários com outras plaformas (ex: CIFS/SMB, Active Directory, etc)? Por que a insistência em modificar ou não adotar os padrões da indústria?

Acho que nem mesmo a disponibilização do tradutor ODF ou o convite à Fundação Mozilla para que desenvolvam um trabalho conjunto para aprimorar a compatibilidade do navegador Firefox com o Windows Vista escapam à essa impressão.

A favor da Microsoft porém estão sua pouca familiaridade ainda com o modelo de desenvolvimento e conceitos relacionados ao universo open source, sua recente disposição em estabelecer um diálogo franco com toda a comunidade e a vontade de colaborar no desenvolvimento de alguns projetos.

Mas na minha modesta opinião muito pouca coisa mudou e a Microsoft ainda continua a mesma. É até possível que dentre suas motivações iniciais para as iniciativas estava o fator “manter-se atualizada com a mais nova onda do mercado”.

Acho praticamente certo também que essa mudança de atitude com relação ao open source tenha como um de seus propósitos principais a experimentção com o novo paradigma para, quem sabe, uma posterior “adequação” dele ao modelo de negócios da gigante. Estou dizendo extamente isso, uma adequação não do modelo de negócios e sim do open source aos interesses da Microsoft.

Apesar de tudo é interessante o que esse re-posicionamento pode siginifcar. A postura recente da maior empresa de software do planeta parece finalmente legitimar para muita gente o open source como o novo paradigma da indústria, o posicionando definitiva e incontestavelmente como mainstream.

Seja bem vinda ao jogo Microsoft!

Para finalizar eu recomendo que você não confie somente nestas minhas palavras, que faça a sua própria avaliação e que chegue às suas próprias conclusões.

Written by @antoniofonseca

quinta-feira, 21 setembro, 2006 às 7:35 pm

Publicado em Opinião

4 Respostas

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  1. assim.. a microsoft é uma empresa privada… e tem que ganhar dinheiro… então é óbvio que ela vai tentar ‘surfar’ em todas as ondas possíveis e imagináveis com o objetivo de continuar ‘vivendo’. foi assim com a internet, com o web2.0 e agora com os softwares livres.

    não dá pra ela virar boazinha de uma hora pra outra e sair por aí apoiando projetos que têm como objetivo destruir o monopólio que a sustenta😉

    maurelio

    sexta-feira, 22 setembro, 2006 at 11:55 pm

  2. ‘maurelio’, obrigado por sua visita.

    Na minha opinião os objetivos da Microsoft não são diferentes dos objetivos de nenhuma outra empresa: obter o maior lucro e a maior participação de mercado possíveis. Portanto, observando sob essa ótica não podemos classificá-la simplesmente como ‘boa’ ou ‘má’.

    Mas podemos criticar elementos concretos como a lisura ou não de suas práticas comercias, suas estratégias diante da concorrência ou até mesmo avaliar se nos agrada o modelo de negócios adotado por ela.

    ASF

    sábado, 23 setembro, 2006 at 2:02 am

  3. Claro que toda empresa busca maior lucro, maior participação do mercado. A diferença entre elas é como jogam o jogo. Empresas pequenas têm pouco a perder, e por isso não se incomodam em ajudar a comunidade. Algumas empresas que estão crescendo com o Open Source (como a Novell e a IBM) veem a ajuda à comunidade como estratégia vital para a permanência delas no mercado. Já uma empresa como a Microsoft está com medo de perder o monopólio,e vendo que não conseguem destruir diretamente o movimento, precisa jogar com ele. Isso não significa que eles estão dispostos a dividir o mercado, mas já estão se preparando caso isso aconteça. E, claro, talvez ganhem algo com isso.

    Afinal receber trabalho de graça todo mundo gosta🙂

    Elias

    sábado, 23 setembro, 2006 at 4:53 am

  4. O aspecto contraditório parece inerente ao modelo Microsoft de ver o mundo. Parece não haver congruência de idéias por toda empresa. Mas é óbvio; também não consigo enxergar isso senão como mais uma de suas estratégia pra não ficar para trás na corrida.

    “First they ignore you, then they laugh at you, then they fight you, then you win.”
    Mohandas Karamchand “Mahatma” Gandhi (1869 – 1948)

    jr.

    sábado, 23 setembro, 2006 at 9:12 am


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