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Tecnologia, Informação e Expressão

As inovações do Ubuntu

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Tristan Rhodes publicou em seu blog um interessante relato sobre as inovações trazidas pelo Ubuntu em seus 3 anos de existência.

Vale a leitura, principalmente para aqueles que estão dando os primeiros passos no universo open source. Ou para quem deseja aprender mais sobre essa incrível distribuição.

(Tradução livre)

Introdução

No um curto espaço de tempo de sua existência (3 anos, com 6 releases) o Ubuntu atingiu um impressionante nível de popularidade e crescimento. Acredito que esse sucesso todo deve-se a alguns aperfeiçoamentos críticos que o Ubuntu implementou em relação a outras distribuições Linux.

Esses aperfeiçoamentos nem sempre foram criados pelo Ubuntu, mas o Ubuntu foi a primeira distro a implementá-los estrategicamente em detrimento de características desnecessárias. Vou discorrer sobre as principais vantagens que o Ubuntu proporcionou desdo seu primeiro dia de existência.

Instalação simplificada

Ubuntu sempre teve um processo de instalação bastante simples, e sempre exigiu do usuário muito pouca informação. A primeira versão contava com um instalador baseado em texto, mas ele era simples o suficiente para que qualquer usuário novato pudesse instalar o Ubuntu com apenas o pressionar de algumas teclas “Enter”.

Isso foi considerado uma marco uma vez que o Debian (no qual o Ubuntu é baseado) historicamente sempre foi considerado difícil de instalar. Olhando para trás, a instalação do Debian exigia do usuário vários passos e o conhecimento sobre como particionar o disco rígido, selecionar drivers de hardware além de várias outras escolhas técnicas.

Agenda de lançamentos regular

Até onde sei, Ubuntu foi a primeira distribuição Linux a a seguir uma agenda regular de lançamento de versões. Desde a primeira versão do Ubuntu, a Canonical proporcionou o lançamento de novas versões a cada 6 meses, sendo cada novo release suportado oficialmente por 18 meses. Esse provou-se verdadeiro, excepcionalmente por um pequeno atraso de 2 meses para os aprimoramentos ao lançamento da primeira versão de suporte estendido (LTS – Long Term Support).

Agora também sabemos que teremos uma versão LTS do Ubuntu a cada 2 anos. Essas versões LTS proporcionam um ciclo de vida maior, que é preferido pelos administradores de servidores. Versões LTS recebem atualizações de segurança por 3 anos para a edição desktop e 5 anos para a edição servidor.

Instalação a parti de Live-CD

Seguindo o sucesso do live-cd Knoppix, Ubuntu criou uma forma de instalação a partir de um live-cd. Essa inovação permitiu a simplificação do teste do Ubuntu em um sistema com a posterior instalação de forma simplificada nesse sistema, sem a necessidade de um reboot. Um tipo de abordagem “teste antes de comprar”. Ela também acabou com a necessidade de “CDs de instalação” em separado. Enquanto isso, outras distribuições Linux exigiam o download e a gravação de até 6 CDs.

Uma aplicação para cada propósito

Antes do Ubuntu, a maioria das distribuições Linux instalavam múltiplas aplicações para a mesma finalidade. Por exemplo, a instalação default destas distribuições as vezes incluíam dois navegadores, duas aplicações para chat, três players multimídia, etc. Isso era muito confuso para novos usuários, que não sabiam qual aplicação eles deveriam usar. Por default, Ubuntu inclui somente uma aplicação para cada finalidade de uso, mas aplicações adicionais podem ser instaladas facilmente a qualquer momento.

Seguro por default

A instalação default não executa qualquer serviço de rede visível externamento. Isso surpreendeu nosso administrador de segurança, quando ele foi certificar-se de que eu estava usando um firewall para o meu desktop. Eu disse a ele que nada na minha máquina estava visível externamente o que após uma rápida verificação com um scan do NMAP comprovou-se verdadeiro (você também pode usar o comando “netstat” para certificar-se disso). Olhando para trás, a maioria das distribuições Linux vinham com aplicações de rede em execução como por exemplo o SSH. Certifique-se instalar um firewall (como o FireStarter) se você decidir instalar um serviço de rede de acesso remoto ao seu computador.

Tarefas administrativas exigem do “sudo”

Muito antes da Microsoft implementar seu UAC, Ubuntu exige dos usuários o uso do “sudo” para realizarem tarefas administrativas. Ubuntu não criou o “sudo“, mas eu acredito que foi o primeiro a desativar o usuário root e exigir o uso do “sudo” pelo usuário.

Mais de 20 mil aplicações facilmente instaláveis

(Obrigado Debian!) O que mais eu preciso dizer sobre isso? Muitas outras distribuições (baseadas em RPM) oferecem milhares de pacotes, mas elam forçam você a fazer o download manual do pacote, pesquisar se existem dependências a serem resolvidas, fazer os download desses outros pacotes e se você tiver sorte conseguirá ter a aplicação original instalada. O sistema de pacotes do Debian é super versátil e o Ubuntu ainda criou front-ends facílimos de usar que fazem da instalação de software uma tarefa trivial.

Inclusão de drivers de hardware não-livres

Essa é a característica mais controversa oferecida pelo Ubuntu. Sua justificativa é simples: Se você não consegue usar o hardware, então não terá acesso às 20.000 aplicações de software livre. Qual destas duas opções é a melhor:

A. A pessoa usa Windows por o Linux não executa em seu computador, ou
b. A pessoa usa alguns drivers de hardware não-livres, mas consegue usar apenas aplicações livres

Sim, essa é uma concessão, mas acredito que é uma concessão necessária. Somente quando o Linux atingir massa crítica suficiente será possível forçar a indústria de hardware a oferecer drivers livres. A utilização em larga escala é necessária ANTES que tenhamos um sistema operacional completamente livre executando em qualquer hardware.

Fez do marrom uma cor sexy

Quem usaria um tema de desktop marrom antes do Ubuntu? Algumas pessoas não gostam da cor marrom, mas elas podem facilmente alterá-la. Eu gosto de usar a interface padrão assim posso mostrar as pessoas como ela seria.

Sua vez!

Tenho certeza que existem muitos outros fatores importantes para o sucesso do Ubuntu. Eu ficaria feliz se compartilhasse sua opinião nos comentários, ou em seu próprio blog.

Fonte: Ubuntu Innovations – The Open Source Advocate

Written by @antoniofonseca

sábado, 18 agosto, 2007 às 2:58 pm

Publicado em Linux, Ubuntu

12 Respostas

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  1. [...] Link to Article open source As inovações do Ubuntu » This excerpt is from an article posted at [...]

  2. Realmente eu não seria usuário de linux se não existisse o Ubuntu.
    Espero que os progressos continuem sendo feitos no mesmo ritmo.
    Abraços

    Salvador Camino - E o Cansei cansou

    sábado, 18 agosto, 2007 at 5:06 pm

  3. É, realmente o pessoal da Canonical tem feito um grande trabalho. Estou usando o ubuntu há alguns meses – ainda numa máquina virtual – e estou gostando muito. Forte abraço,

    Paulo Cassiano

    domingo, 19 agosto, 2007 at 6:02 pm

  4. Salvador,

    Eu também! :-)

    Abraço,

    ASF

    ASF

    domingo, 19 agosto, 2007 at 9:37 pm

  5. Paulo,

    Que tal dar uma chance agora para o Ubuntu em dual boot? E até mesmo experimentar o Windows virtualizado. O que você acha?

    Quem sabe como uma experiência com o Gutsy a ser lançado em outubro próximo, hein!?

    Você poderá experimente o VirtualBox (software livre para virtualização) e o desktop 3D com o Fusion.

    Abraço,

    ASF

    ASF

    domingo, 19 agosto, 2007 at 9:39 pm

  6. A questão da instalação é uma “faca de dois gumes”: se, por um lado, é extremamente simples e funcional por outro é ruim para quem tem 256MB (ou menos) de RAM. Já tentaram instalar em máquinas com esta quantidade de memória? Lentidão total…

    Alexandre Cavedon

    terça-feira, 21 agosto, 2007 at 11:24 am

  7. Para mim uma coisa que facilitou muito foi o recurso de “auto-montar” pendrives e outros dispositivos de armazenamento em massa USB.
    Outra inovação, essa mais de conceito, foi o uso do GNOME, que era um ambiente muito discriminado até no mundo linux. Tenho amigos que não gostavam nem de ouvir o nome GNOME, hoje usam Ubuntu e simplesmente não o trocam por NENHUM outro sistema.
    Fazendo uma referência ao texto acima, sobre o Synaptic do Ubuntu, eu conheci o Synaptic no Conectiva 9 e não gostei, no Conectiva 10 achei que fose melhorar mas continuei na mesma, o motivo é simples, eu não conseguia repositórios decentes e muitas dependências ficavam quebradas no sistema. Claro que isso já tem uns 2 ou 3 anos, o sistema em si evoluiu, o Synaptic evoluiu também mas a impressão inicial que o Ubuntu me passou foi que não iria prestar mas foi engano, prestou e impressionou.
    Sem falar também em funcionalidades como o navegador de rede dele que detecta e acessa compartilhamentos Windows e funciona (!!!) coisa que outras distribuições também descepcionavam muito… sempre faltava um serviço ativo ou alguma coisa na configuração avançada do sistema que simplesmente fazia um usuário comum desistir.
    A abordagem de necessário e desnecessário com relação a pacotes no sistema também me deixou impressionado, estava acostumado com distros que precisavam de 3, 4 ou 5 cds, até umas de 6 e que eu instalava meia dúzia de pacotes de cada CD (alguns davam defeito e nem isso eu conseguia rsrsrs). Com o Ubuntu eu consegui fazer funcionar tudo o que se relacionava a hardware sem ter que baixar nada da internet, somente os fontes do meu Winmodem, que por incrível que pareça, depois de intalar todos os pacotes de desenvolvimento da distro o driver compilou que foi uma beleza…. coisa que não acontecia também em certas distros.
    Bom, para encurtar a história, para quem estava totalmente desacostumado a facilidades (eu usava Slackware antes do Ubuntu) eu estou impressionado de verdade com a evolução que a distro tem mostrado e estou otimista para o futuro, essa distro vai ainda dar muuito o que falar…..

    Luiz Redes

    terça-feira, 21 agosto, 2007 at 11:47 am

  8. Olá Alexandre,

    Creio que você se refere a lentidão do ambiente do liveCD em uma máquina com 256MB de RAM.

    Realmente executar o live com 256MB é o mínimo que recomendo. Para máquinas com menos memória utilize o CD de instalação Alternate (com instalador em modo texto).

    Depois de instalado, executando a partir do disco rígido, o sistema funciona muito bem com máquinas que possuam 256MB de RAM. E se você optar por um ambiente gráfico mais leve como o XFCE (Xubuntu) ou o Openbox por exemplo, poderá até mesmo usar o Ubuntu em máquinas bastante modestas e com pouca RAM (opção que não está disponível no Windows XP ou Vista – sistemas operacionais de 32 e 64 bits, modernos como o Ubuntu).

    Para uso como servidor e sem ambiente gráfico, as restrições são ainda menores.

    Abraço,

    ASF

    ASF

    terça-feira, 21 agosto, 2007 at 1:20 pm

  9. [...] um excelente sistema operacional Recentemente falamos aqui sobre os avanços do Ubuntu nestes três anos de [...]

  10. o MUNDO da informatica nao seria o mesmo sem o Unbuntu. Eu estou so aguardando concluir o desktop para retorna ao linux, nuam versao 7.04. Finalmente alguém lembrou que apenas alguns linuxers são programadores. Porem a granda massa de ususario ainda é e sermpre sera usuario leigo – distante de programadores. Gente que tem outras coisas para fazer alem de escrever código. Esse foi a chave do sucesso do ubunto. Sou fa.

    IVAN

    terça-feira, 21 agosto, 2007 at 10:11 pm

  11. Pessoal,

    Tem material novo sobre o Ubuntu para iniciantes.

    Leiam: http://antoniofonseca.wordpress.com/2007/08/21/ubuntu-um-excelente-sistema-operacional/

    Abraço,

    ASF

    ASF

    terça-feira, 21 agosto, 2007 at 11:20 pm

  12. Eu sou programador(web) e uso Ubuntu, pois eu só tenho tempo para programar e não para ficar configurando o sistema a cada update que é lançado(quase todo dia)… o Ubuntu é uma mão na roda =)

    Fabiano Shark

    quarta-feira, 22 agosto, 2007 at 9:01 am


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